O delírio de uma geração

•maio 2, 2011 • 1 Comentário

Medo e delírio, dirigido pelo ex-Monthy Pyton Terry Gillian, é a história de Raoul Duke (Johnny Depp), um jornalista esportivo, que passa quase todo o seu tempo sob o efeito de qualquer droga disponível, enviado de Los Angeles para cobrir uma corrida de motocross no deserto de Las Vegas. Raoul tem como companheiro de viagem o também consumidor compulsivo de alucinógenos Oscar Z. Acosta ou Dr. Gonzo, seu advogado. Durante quase todo o filme Raoul e Oscar estão sob o efeito de drogas lícitas e ilícitas e o espectador é muitas vezes arrastado para dentro de seus delírios por uma câmera subjetiva, o que faz o filme um tanto engraçado e “viajante”.

No entanto Medo e delírio é mais do que isso.É adaptação cinematográfica do livro Fear and Loathing: A Savage Journey to the heart of the American Dream ( Medo e delírio: uma jornada selvagem ao coração do Sonho Americano*) de Hunter S. Thompson, o pai do jornalismo Gonzo. Este tipo de jornalismo é caracterizado por não ser objetivo, imparcial ou isento. Também se caracteriza por não distinguir entre autor e sujeito, ficção e não-ficção. Um bom exemplo é a matériaThe Kentucky Derby is Decadent and Depraved” (O Kentucky Derby é Decadente e Depravado*) que Thompson escreveu para a revista Scanlan’s Monthly. O jornalista havia sido designado para cobrir o Kentucky Derby, uma corrida de cavalos que acontece há mais de cem anos na cidade de Louisville. Depois de quatro dias de torpor alcoólico Thompson não sabia quem havia ganhado a corrida e produziu um artigo extremamente ácido e crítico sobre a sociedade sulista norte-americana, no qual alterava os acontecimentos reais do evento.

Além disso Hunter Thompson fez parte de uma geração que, durante os anos 1960, foi influenciada por ideais de expansão da mente para novos valores. Durante a segunda metade desta década Thompson conviveu ativamente com a contracultura e a comunidade hippie em San Francisco. Experimentando drogas e praticando o “amor livre”, jovens, de todo o mundo, questionaram a sociedade – política, religião, moral e costumes – em que viviam e a própria realidade enquanto construção mental. Em sua utopia, queriam “mudar o mundo” porém, esta não sobreviveu e nos anos 1970 seria substituída pela hedonista cultura Disco.

Em certo momento do filme Duke diz: “Nós tínhamos todo o momento, nós estávamos na crista de um alta e bela onda. E agora, menos de cinco anos mais tarde, você pode subir em uma colina em Las Vegas e olhar para o Oeste, e com o tipo certo de olhos quase pode ver a marca da maré alta: o lugar onde a onda finalmente quebrou e voltou.” Raoul Duke, o alter-ego de Hunter Thompson, vive neste filme a ansiedade, a frustração da não-realização dos seus sonhos, a decepção e o deslocamento que muitos outros jovens norte-americanos viveram no final da década de 1960, época politicamente conservadora – Richard Nixon havia sido eleito presidente em 1968 e seria re-eleito em 1972. Para Duke:” Todos agora estão ligados na viagem da sobrevivência”.

Nesta sociedade conservadora, seu total desprezo pelos valores sociais permitia que infringisse leis e/ou regras consuetudinais, mesmo tendo consciência moral de seus atos. Seu deslocamento causa a necessidade cada vez maior de se drogar, – talvez como fuga ou simplesmente tentando alcançar a expansão da mente, algo impossível para aquelas pessoas de mentalidade atávica, – ao mesmo tempo que persegue, quase que obsessivamente, o “Sonho Americano”. Mas Hunter não acredita neste sonho. Ele acredita que aquelas pessoas que o vivem são hipócritas e que historicamente vêm acabando com qualquer possibilidade de felicidade e realização da humanidade. “Vocês mataram Jesus”, diz Raoul Duke a um casal. Sua decepção com o contexto sócio-cultural em que vivia o levaram a um vazio existencial e a um comportamento auto-destrutivo.

Longe de ser um filme que faz apologia ao uso das drogas – talvez seja mais plausível o contrário – Medo e Delírio é quase um testemunho de um homem decepcionado, perdido em um mundo que é exatamente o contrário de tudo aquilo por que lutou por anos.

*tradução livre do autor

Filmes citados:

Medo e delírio ( Fear na Loathing in Las Vegas, 1998/ Terry Gillian)

How Terminator Should Have Ended (Back To The Future Mash-Up) | /Film

•outubro 2, 2009 • Deixe um comentário

Bom já que a idéia é voltar a trabalhar em cima desse blog. Vou colocar isso que achei muito engraçado. E por enquanto vou enrolando pra postar sobre os filmes. Mas uma hora sai.

Nota rápida I: Voltamos!!!

•setembro 18, 2009 • Deixe um comentário

Depois de um longo e tenebroso invervno, voltamos às atividades. Em breve mais atualizações. Espero que alguém ainda acompanhe agente…

Abços.

Nota rápida II: X-Men

•setembro 18, 2009 • Deixe um comentário

xmen_ver1

Incrível como a postura com a qual assistimos um filme determina sobremaneira seu entendimento. Revendo o início de X-Men outro dia na Fox, percebi que não tinha notado neste primeiro filme a comparação do tratamento dos “humanos” dado aos “mutantes” com o tratamento dos nazistas em relação aos judeus durante o holocausto. Essa comparação é explícita, contudo passou despercebida por mim, uma vez que fui ver esse filme sem a menor expectativa da presença de elaborações de discurso minimamente complexas. Perder este conteúdo do filme não afetou de modo grave o entendimento do filme, contudo, quando percebido o filme é enriquecido.  Lição aprendida. Tomara que isto não se repita no futuro.

Abço a todos.

Os 50 melhores trailers da história do Cinema

•junho 26, 2009 • Deixe um comentário

O site ifc.com divulgou hoje a lista com os 50 melhores trailers da história do cinema.
Tem clipe de toda época, e não se trata só de filmes clássicos e sim da forma que um filme é vendido.
Pra se ter uma idéia até Independence Day ta lá.
Assistir a todos é sem duvidas diversão garantida. E com certeza você vai achar varias coisas que ainda não viu, e vai acabar colocando naquela listinha de cabeceira. Os famosos Must see.
E como o povo desse blog é muito enrolado pra postar sobre filmes que assistimos, vamos postando sobre o resto das coisas relacionadas a cinema.
Traillers

E juro que eventualmente faço o post de Transformers, mas estou tão decepcionado com o filme que nem sei se quero escrever sobre ele.

George Lucas Interview

•junho 24, 2009 • Deixe um comentário

Bom achei isso em um dos Blogs que acompanho. E é uma intrevista um tanto quanto rara. Afinal vemos um George Lucas com 27 anos de Idade falando sobre seu primeiro filme. THX 1138. Que é um dos seus primeiros filmes, antes de American Graffiti e Star Wars.

more about "George Lucas Interview", posted with vodpod

Charlie Bartlet

•junho 23, 2009 • Deixe um comentário

Filmes sobre High school são normalmente comedias idiotas cheias de clichês. Eis que encontro este filme. Uma comedia, despretensiosa, mas inteligente. Onde os Clichês estão apresentados, mas não são caricatos.
Conta com um roteiro divertido. E que de alguma forma me encheu de esperanças.
O elenco é jovem, e com exceção de Robert Downey Jr. E quase que desconhecido.
O outro nome do elenco que está se tornando conhecido agora é Anton Yelchin, que esteve em Star Trek e também em Terminator Salvation. E é um dos jovens atores que merece ter sua carreira acompanhada de perto.
O filme nos conta a trajetória do adolescente problema Charlie Bartlet, Anton Yelchin, para se tornar popular. O desejo de qualquer adolescente que está em sua adolescência. Ele que ser querido, amado e escutado por todos. E na busca para alcançar seus objetivos ele é expulso de todas as escolas particulares possíveis. E na falta de opção ele acaba indo para uma escola publica.
Onde se torna o terapeuta de todos aqueles jovens que não tem ninguém para desabafar. E ocasionalmente ele receita medicamentos para estes jovens.
Bom o filme é muito divertido.

Milk

•junho 23, 2009 • 1 Comentário


Palmas para ele.
O filme apresenta um trabalho minucioso mostrando fatos e contextualizando toda uma realidade absurda que era vivenciada por homossexuais nos Estados Unidos no final da década de 70.
O figurino, o uso de telejornais de época e os cenários muito bem construídos, nos transportam para uma San Francisco na região da Castro St na década de 70. O que alinhado a magnífica interpretação do Sean Penn, é fácil acreditar que estamos vivendo aquela época e que estamos diante de todo aquele povo e aqueles ideais. Sean Penn está tão bem no papel que fácil acreditar que ele seja gay e mais que tudo o próprio Harvey Milk.

O filme conta a historia real do candidato homossexual Harvey Milk e todo seu percurso até ser eleito o primeiro gay em um cargo publico no Estados Unidos. Mostrando toda a caminhada até a chegada ao poder os ideais as alianças o meio social e a forma como ele foi um personagem crucial para transformar os EU em um lugar melhor e mais tolerante com a classe gay. O filme culmina em seu assassinato pelo adversário político Dan White.

O filme venceu dois Oscar. Melhor roteiro original e o mais que merecido melhor ator.
A direção é de Gus Van Sant que já nos apresentou outros bons trabalhos como Elephant de 2003 e Good Will Hunting de 1997 entre outros.
O elenco é de primeira linha que além de contar com Sean Penn tem ainda Emile Hirsch, Diego Luna, Josh Brolin e James Franco.

Este é um daqueles filmes que merecem ser assistidos, pois nos apresenta todos os absurdos da discriminação. E a forma como algumas pessoas se expõem e se arriscam para transformar o mundo em um lugar melhor. Sem falar que os discursos do candidato Harvey Milk é algo que enche o peito de esperança. E deixa aquela sensação de que ainda existe político bom no mundo e que quer alguma coisa alem do próprio beneficio.

Der Baader Meinhof Komplex

•junho 10, 2009 • Deixe um comentário

Adoro conflitos políticos.
E Baader Meinhof é isso. 150 minutos de um conflito que durou praticamente três décadas.
É também a mais cara produção do Cinema Alemão até o momento.
O filme foi indicado ao Oscar de filme estrangeiro. Mas não ganhou.
E conta com um elenco fantástico. Com meninas super poderosas. E excelentes atrizes, e atores. Particularmente o único ator que tinha conhecimento era Stip Erceg que fez também The Edukators.
O filme é dirigido por Uli Edel, que é o mesmo diretor do antigo Eu Cristiane F. 13 anos… , no caso de Baader ele apresenta uma direção segura com boas cenas de ação e conflito.

Mas o roteiro raso acaba deixando a imagem de que o grupo revolucionário de esquerda, também conhecidos como terroristas, eram um bando de porras loucas. Que disparavam sem perguntar e que mataram centenas de pessoas no período dos quase 30 anos de sua existência. Enquanto o numero total de mortes em toda a trajetória da RAF foram apenas 34 mortes. E o filme faz uma contextualização dos fatos no período 10 anos que é a fatia que nos é apresentada na história muito pobre. E não aprofunda nos personagens principais. O que em certo ponto se torna confuso, pois tem gente nova aparecendo e você não sabe de onde.
E da aos lideres do movimento um ar infantilóide onde eles chamam os policiais de porcos e querem matar todos que se opõem ao regime. E não é bem disso que se trata a ideologia do grupo.
Não estou defendendo ninguém aqui, mas o filme nos mostra um governo bonzinho e humanitário e sinceramente não acho que foi bem assim, afinal sabemos como foi a luta no Brasil do governo contra a esquerda revolucionaria.
O fato é que para um entendimento claro do que foi o período de conflito na Alemanha o ideal é buscar informações fora do filme que deixa muito a desejar.

Mas a edição dinâmica do filme transforma o tema denso em algo fácil de ser digerido.
A trilha sonora é fantástica, e a fotografia é muito bem feita. As cenas de tiro a queima roupa e explosões dão um ar hollywoodiano ao filme. Mas que ainda assim é um claro exemplar do cinema alemão.

E que merece ser apreciado. E já que estamos falando de cinema Alemão, outros filmes que valem muito à pena serem vistos é The Edukators que já citei lá em cima, Adeus Lênin, A vida dos Outros e o meu favorito que tem horas parece até ser invenção por que não acho o filme em lugar nenhum, Devot.

Terminator Salvation

•junho 6, 2009 • Deixe um comentário


Prestigio não se passa a diante. E no cinema isso é provado a cada continuação. Não preciso citar as que fogem a regra. Mas são poucas.

E sendo honesto por muito tempo achei que Terminator 2 fosse melhor que o primeiro. E há algumas semanas assisti ao segundo meio que me preparando para o novo filme o Salvation. Já que o comentário geral era. Ignore completamente o terceiro filme.
E ai o que era um dos meus filmes prediletos se tornou numa fonte de análise e criticas.
Comecei a enxergar o segundo filme como uma aventura infantil. Cheia de diálogos pobres e atuações medíocres.

Bom Terminator Salvation era um dos filmes mais esperados do ano pra mim. Tanto que cometi a imbecilidade de assistir ele online com uma qualidade lixo por que já não agüentava mais esperar. E isso foi na segunda à noite sendo que o filme entraria em cartaz na quarta. A qualidade era um lixo, mas minha curiosidade era maior e assim foi pelo ralo toda minha expectativa. Mas de qualquer forma fui ao cinema quinta feira. Tinha que ver na tela grande, a luta de egos do diretor McG o homem que estava ressuscitando Terminator contra o ainda por entrar em cartaz, Transformers Revenge of the Fallen, do Michael Bay e Spielberg.
Já não tinha mais o elemento surpresa do fim do filme, que na verdade já não era surpresa há muito tempo, pois andei lendo tanto sobre o filme e me metendo com todos os spoilers possíveis que no fundo já sabia o que ia acontecer.
Ai tem dois dias que estou pensando em como escrever este post, e os prós e os contras do filme.
Por acidente ligo a TV agora à noite e está começando o primeiro Terminator o clássico de 1984. Bom assisti afinal filme bom é sempre bom.
Apesar dos defeitos especiais o filme é diversão garantida e chega a ser engraçado ver os nomes complicados e as explicações esmiuçadas.
E agora no momento que acabei de ver o filme é que me ocorreu de escrever o post.

A série de filmes Terminator é simplesmente uma copia das piadas do primeiro filme.
Alias no quarto eles abusam.
Hollywood se preocupa demais com o dinheiro e se esquecem do que seria o real motivo de se fazer os filmes. Ai transformam o Exterminador do Futuro em filme de matinê para crianças de doze anos de idade. Nada contra as crianças. Mas os diálogos ficam pobres. E isso me irrita. Especialmente nesse ultimo. O diretor e toda a equipe estão tão preocupados com o dinheiro e com a competição contra o Optimus Prime. Que enfiam um robô gigante no meio do filme. E ficam fazendo auto referencia ao primeiro e segundo filme. Algumas coisas são discretas e até divertidas. Agora escutar “I’ll be back”, “Come with me If you want to live” entre outras já é demais. Estas falas estão em todos os filmes.
É simplesmente o fantasma da piada passada. Ai eles ultrapassam todos os limites quando colocam músicas da década de 90. E o pior colocam Guns ‘n Roses cantando um trecho de You Could Be Mine que pra quem não lembra é a trilha sonora de T2.

O Batman virou soldado da resistência e dos mais irritantes. Ele parece ainda ser o garoto de 12 anos do segundo filme. E pelo amor de Deus como pode o líder da resistência que viveu com a mãe e lutou ao lado dela. Lutou contra o modelo de Exterminador mais avançado, que no caso ainda nem foi inventado no quarto filme. Fica escutando fitas da mamãe falando sobre um futuro que ela nunca viu. E ele está vivendo. Como alguém assim seria capaz de liderar. O personagem de Cristian Bale simplesmente não é carismático. Ele não convence como John Connor.
Mas já Sam Worthington como Marcus Wright ganha à platéia. O cara está trabalhando bem e vende o peixe muito melhor que seu arqui-rival.
E Moon Bloodgood está linda como a guerreira da resistência. Pena terem cortado a cena do topless. Mais uma vez malditas crianças.
Mas ver o schwarzenegger em CG é impagável. A atuação é do mesmo nível do ator na vida real.

Mas o filme é bem feito, o problema é que tentaram amarrar demais o roteiro e ele ficou preso a varias coisas e deixou de ser original. E pelo jeito vai vir pelo menos mais 1 filme da série por ai.
Agora me conta de quem foi a idéia idiota de deixar os mesmos roteiristas do terceiro filme escreverem esse. Acho que o problema todo está ai.
Apesar de ter varias lutas nenhuma convence, nenhuma te dá à emoção ou a duvida do e será que ele vai morrer!?

Apesar de todas as ofensas de desafios e apostas que o McG soltou na imprensa falando que seus robôs seriam mais fortes e melhores que os do Michael Bay. Acho difícil ele ganhar. Jogo minhas fichas no filme que o Spielberg está produzindo. Eles são melhores com robôs gigantes. Vamos ver se o McG cria juízo e trás novos roteiristas pra tentar criar algo realmente incrível para o quinto filme. Ou simplesmente deixa como está. Já abalaram demais a obra do James Cameron. Ta bom. Num precisa de mais.
Agora é ver como o BumbleBee se sai nas bilheterias no fim do mês e pregar o ultimo prego no caixão do Exterminador dos Exterminadores.

 
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